Fiat Panorama: A História da Perua que Ensinou o Brasil a Viajar (1980-1986)
1980: O Nascimento da Estação da Família
Em 1980, a Fiat revolucionou o mercado nacional ao lançar a Panorama. Foi a primeira perua compacta derivada de um carro de passeio no Brasil, surgindo como a solução ideal para famílias que amavam a economia do 147, mas precisavam de um porta-malas digno para as férias.
Espaço Inteligente: Com apenas 3,92 metros, ela conseguia entregar um espaço interno surpreendente. O segredo estava na traseira alongada e no teto elevado, que permitia acomodar bagagens volumosas sem sacrificar o conforto dos passageiros no banco traseiro.
Mecânica Confiável: Estreou com as opções de motor 1050 (gasolina) e o valente 1300 (álcool ou gasolina). Era um carro leve e muito ágil no trânsito urbano, o que a tornou rapidamente a favorita não apenas das famílias, mas também de frotistas.
Curiosidade de 1980: A Panorama foi um dos primeiros carros brasileiros a focar na visibilidade. Suas janelas laterais enormes deram origem ao nome "Panorama", oferecendo uma visão clara para todos os ocupantes e facilitando muito as manobras.
1981: O Ano do Conforto e da Quinta Marcha
Em 1981, a Panorama acompanhou a evolução do 147 e recebeu melhorias mecânicas que a tornaram muito mais estradeira. Foi o ano em que a Fiat provou que uma perua pequena poderia ser usada em viagens longas com conforto e silêncio.
Câmbio de 5 Marchas: A introdução da 5ª marcha foi o grande diferencial deste ano. Isso permitiu que a Panorama rodasse em velocidades de cruzeiro com o motor menos esgoelado, diminuindo drasticamente o consumo de combustível e o ruído dentro da cabine.
Interior Refinado: O acabamento interno recebeu novos tecidos e cores. O painel de instrumentos foi atualizado para ser mais legível, e o sistema de ventilação foi aprimorado para garantir que o ar circulasse melhor por todo o amplo espaço traseiro.
Curiosidade de 1981: Graças à sua estabilidade e economia, a Panorama 81 começou a ser exportada para a Europa sob o nome de Fiat 127 Panorama, sendo muito elogiada pela robustez da suspensão desenvolvida para as estradas brasileiras.
1982: Versatilidade e a Versão Ambulância
1982 foi o ano em que a Panorama mostrou sua faceta mais utilitária. Além do uso familiar, sua carroceria foi reconhecida como a plataforma perfeita para serviços de emergência em grandes centros urbanos, onde veículos maiores tinham dificuldade de circular.
A Panorama Ambulância: Com uma adaptação no teto e a remoção dos bancos traseiros, a Fiat lançou a versão Ambulância. Era ágil, econômica e conseguia entrar em ruas estreitas e garagens de hospitais com facilidade, tornando-se essencial para remoções rápidas em cidades como São Paulo e Rio.
Frente Europa Consolidada: O modelo 82 exibia a frente "Europa" em sua melhor forma, com faróis poligonais e grade integrada. O visual era moderno e fazia a Panorama parecer um carro de categoria superior, competindo diretamente com modelos maiores.
Curiosidade de 1982: A versão Ambulância era tão bem projetada que contava com suportes para cilindro de oxigênio e maca, provando que a engenharia da Fiat conseguia extrair o máximo de utilidade de um chassi compacto.
1984: O Estilo Spazio e o Luxo Final
Com a chegada do Spazio, a Panorama também recebeu o banho de loja "luxuoso" da Fiat em 1984. O design ficou mais robusto e o acabamento subiu de nível para enfrentar a concorrência da recém-lançada Chevrolet Marajó e da Volkswagen Parati.
Visual Spazio: A Panorama 84 adotou os faróis maiores, a grade mais proeminente e as lanternas traseiras envolventes. O para-choque de polipropileno deu um ar muito mais contemporâneo e resistente ao modelo, alinhando-a com a tendência europeia.
Melhoria no Acabamento: O isolamento acústico foi reforçado e o painel ganhou novos controles. O motor 1300 a álcool era agora muito mais eficiente, com partidas a frio melhoradas, consolidando a Panorama como uma opção racional e confiável.
Curiosidade de 1984: Mesmo com o lançamento do Uno neste ano, a Panorama continuou sendo uma escolha lógica para quem priorizava o volume de carga, já que o Uno ainda não tinha uma versão perua disponível no mercado brasileiro.
1985: O Canto do Cisne da Panorama
O ano de 1985 marcou o início da despedida. A Panorama entregava suas últimas unidades com o máximo de refinamento que a plataforma 147 poderia oferecer, preparando o terreno para sua sucessora tecnológica.
Série de Despedida: Os modelos 85 são conhecidos pelo excelente ajuste mecânico. Eram carros "redondos", com todos os problemas de projeto do início da década totalmente resolvidos, tornando-se veículos extremamente duráveis e cobiçados no mercado de usados na época.
Foco no Custo-Benefício: Com a produção da Elba (perua do Uno) já no horizonte, a Panorama de 85 posicionou-se como um veículo de excelente custo-benefício, oferecendo muito espaço por um preço significativamente menor que as novidades do mercado.
Curiosidade de 1985: Muitos proprietários de Panorama 85 relatam que o carro tinha uma das melhores vedações contra poeira da categoria, um ponto crucial para as famílias que viviam ou viajavam para o interior do país.
1986: A Passagem do Bastão para a Elba
1986 foi o último ano da Panorama no catálogo da Fiat brasileira. Ela saiu de cena com a cabeça erguida, dando lugar à Fiat Elba, mas deixando um legado de versatilidade que definiu o padrão para as peruas compactas que viriam a seguir.
Fim da Produção: A produção foi encerrada para abrir espaço total na linha de montagem de Betim para a família Uno. As últimas unidades fabricadas em 86 mantiveram o padrão de acabamento Spazio e são hoje raridades em bom estado de conservação.
Legado de Sucesso: A Panorama encerrou sua jornada com mais de 70 mil unidades vendidas, um número expressivo para um nicho que ela mesma ajudou a criar e popularizar no Brasil.
Curiosidade de 1986: Mesmo após o fim da produção, a Panorama continuou sendo valorizada por frotistas por muitos anos devido à facilidade de encontrar peças de reposição da linha 147, garantindo que o "Pequeno Panorama" continuasse nas ruas brasileiras por décadas.




























