A história da longa vida do Volkswagen Passat
1975: A Consolidação do Novo Conceito
Após o lançamento no ano anterior, 1975 foi o ano em que o brasileiro se apaixonou pelo motor refrigerado a água. O Passat era o carro mais moderno do país, oferecendo estabilidade e tecnologia que deixavam os concorrentes para trás.
Modelos L e LS: O modelo L (Luxo) era a entrada, enquanto o LS (Luxo Super) trazia mais detalhes cromados e acabamento interno superior. Ambos usavam o motor 1.5 de 65 cv que impressionava pelo silêncio e agilidade.
Inovação Técnica: Foi o ano em que o Passat provou a eficiência do seu sistema de suspensão e dos freios com circuito em "X", garantindo segurança máxima em curvas, algo que os carros de tração traseira da época não ofereciam.
Curiosidade de 1975: O Passat foi o primeiro carro nacional a usar o radiador selado, eliminando a necessidade de completar a água constantemente, uma revolução para os motoristas da década de 70.
1976: O Nascimento da Lenda TS
Em 1976, a Volkswagen decidiu apimentar a linha e lançou o modelo que se tornaria o maior objeto de desejo da juventude brasileira: o Passat TS.
Passat TS (Touring Sport): Equipado com o motor 1.6 e carburador de corpo duplo, entregava 80 cv. Visualmente, destacava-se pelos quatro faróis redondos, faixas laterais pretas e o famoso volante de três raios "cálice".
Performance Superior: O TS não era apenas um adesivo; ele tinha uma suspensão mais firme e um desempenho que o colocava como o carro mais rápido de sua categoria no Brasil.
Curiosidade de 1976: O painel do TS era o mais completo da época, incluindo conta-giros e manômetro de óleo no console central, fazendo o motorista se sentir em um verdadeiro carro de corrida.
1978: O Ano da Primeira Reestilização e o Luxo do Executivo
Em 1978, o Passat recebeu sua primeira grande atualização visual para manter o fôlego contra os novos concorrentes. A frente ficou mais baixa e os faróis passaram a ser quadrados em algumas versões, mas a grande estrela do ano foi a chegada de uma versão feita para o topo da pirâmide social.
O Exclusivo Passat Executivo: Lançado para ocupar o lugar de carro mais luxuoso da linha, o Executivo era oferecido apenas na cor preto formal. Vinha com teto revestido em vinil, rodas de liga leve exclusivas e um interior que transbordava requinte, com acabamentos em veludo e detalhes que miravam o público que antes só olhava para o Ford Del Rey ou o Opala.
Modelos LS e TS Renovados: As versões ganharam novos para-choques com ponteiras plásticas e lanternas traseiras maiores. O motor 1.5 começou a dar lugar definitivo ao 1.6 em mais versões da linha, melhorando o torque e a dirigibilidade.
Conforto e Acabamento: O interior recebeu novos materiais, bancos com encostos de cabeça integrados e um sistema de ventilação interna muito mais eficiente. A versão Executivo, em especial, trazia um isolamento acústico reforçado, tornando as viagens muito mais silenciosas.
Curiosidade de 1978: O Passat Executivo é hoje um dos modelos mais raros e caros para colecionadores. Como foi produzido por pouco tempo e tinha um preço muito elevado na época, encontrar um exemplar com o teto de vinil original e os emblemas "Executivo" é como encontrar uma agulha no palheiro.
1980: O Passat a Álcool e a Nova Frente
Com o Proálcool em alta, o Passat de 1980 trouxe a tecnologia do combustível vegetal com uma eficiência que surpreendeu o mercado, mantendo o desempenho esportivo.
Motor 1.6 a Álcool: O Passat foi um dos carros que melhor se adaptou ao etanol. Com maior taxa de compressão, ele ficou ainda mais esperto nas arrancadas. A frente agora exibia faróis retangulares grandes em todas as versões.
Modelo GLS: Surgia a versão GLS, focada totalmente no luxo, com rádio toca-fitas de série e um isolamento acústico superior para o padrão da época.
Curiosidade de 1980: O Passat 1980 "frente retangular" é um dos desenhos mais equilibrados da marca, unindo a robustez dos anos 70 com o estilo dos anos 80.
1981: Melhorias Internas e a Série Especial 1.6
Em 1981, a Volkswagen focou em renovar o ambiente interno e oferecer pacotes que mostrassem a versatilidade do motor 1.6. O Passat recebeu um painel de instrumentos totalmente novo, com design mais moderno e botões mais ergonômicos, além de uma edição que antecipava o futuro da linha.
Série Especial 1.6: Esta edição foi lançada como um meio-termo estratégico. Ela trazia o potente motor 1.6 em uma carroceria com acabamento externo simplificado (sem tantos cromados), mas com itens internos de conforto da versão LS. Era o carro ideal para quem queria a melhor performance da VW sem chamar tanta atenção ou pagar o preço das versões de topo.
Versões LS e LSE: O LSE (Luxo Super Executivo) de quatro portas continuava sendo a escolha de autoridades. O acabamento interno foi aprimorado com novos padrões de tecido, e o console central foi redesenhado para abrigar melhor os comandos de ventilação e o rádio.
Eficiência Mecânica: O câmbio recebeu novos engates, ficando mais precisos e macios. O motor 1.6 foi recalibrado com novos ajustes de carburação para oferecer um funcionamento mais estável, mantendo a fama de ser o motor mais confiável do país.
Curiosidade de 1981: A Série Especial 1.6 de 81 é visualmente marcante por usar frequentemente cores sólidas e detalhes em preto fosco, um visual que começava a ditar a moda "clean" que dominaria os carros esportivos nos anos seguintes.
1983: O Ano do Motor MD-270
Em 1983, o Passat deu um salto tecnológico com o novo motor MD-270 (Torque), que preparava o terreno para a era dos motores AP que viriam a seguir.
Passat GTS: A sigla TS deu lugar à GTS, mantendo a esportividade com um motor mais moderno e eficiente. O torque em baixas rotações melhorou muito, tornando o carro ainda mais prazeroso na cidade.
Novas Rodas: O modelo 83 introduziu as famosas rodas de liga leve com design exclusivo, que se tornariam marca registrada da Volkswagen nos anos seguintes.
Curiosidade de 1983: O motor MD-270 de 1983 é famoso por ter as bielas longas, o que dava ao carro um funcionamento muito suave, quase sem vibrações.
1984: A Multiplicidade de Versões e o Luxo do Paddock
O ano de 1984 foi um dos mais dinâmicos para o Passat. A Volkswagen decidiu segmentar o mercado, oferecendo desde versões despojadas para frotistas até modelos extremamente luxuosos e esportivos, garantindo que houvesse um Passat para cada tipo de motorista brasileiro.
Special e Village: O Special era a versão de entrada, focada no custo-benefício e muito querida por empresas. Já o Village ocupava o posto intermediário, sendo o modelo familiar por excelência, equilibrando um acabamento interno honesto com o confiável motor 1.6, sendo um sucesso de vendas.
Pointer e Paddock: O Pointer continuava o legado de esportividade, agora com o motor 1.8 (no final do ano) e visual agressivo. A grande novidade em sofisticação era a série Paddock, que trazia um acabamento interno em tons de marrom ou cinza de altíssimo padrão, voltada para um público maduro que buscava elegância sem o apelo esportivo.
LSE "Iraquiano": Além destes, o ano foi marcado pelo famoso modelo de exportação para o Iraque que ficou no Brasil. Com quatro portas, ar-condicionado de fábrica e interior bordô, ele se tornou um objeto de desejo imediato pela sua configuração única de conforto.
Curiosidade de 1984: Foi em 1984 que a convivência entre os motores MD-270 e os novos AP (Alta Performance) começou a acontecer na linha. O Passat Paddock, por exemplo, é lembrado até hoje pelo seu rodar extremamente macio e silencioso, sendo um dos "sedãs" mais confortáveis da época.
1984: O Mistério do Motor: Passat Plus 1.6 ou 1.8?
Muitos entusiastas acreditam que o Passat Plus foi apenas 1.6, mas a realidade é que ele acompanhou a transição tecnológica da Volkswagen naquele ano:
O Plus 1.6 (Início de 1984): Quando foi lançado no começo do ano, ele utilizava o motor MD-270 1.6 (biela longa). Era uma série especial luxuosa baseada no acabamento do Village, focada em conforto e economia.
O Plus 1.8 (Final de 1984): Exatamente como diz o seu folder, no segundo semestre de 1984 a Volkswagen introduziu o motor AP-800 (1.8) na linha Passat. Para não ficar atrás do GTS Pointer, o Passat Plus também recebeu o motor 1.8.
A Diferença: Enquanto o GTS Pointer 1.8 era focado em esportividade (com comando de válvulas mais bravo e visual agressivo), o Passat Plus 1.8 era o "esportivo de terno". Ele oferecia o torque e a potência do motor 1.8, mas com um visual mais sóbrio, luxuoso e elegante.
Curiosidade
O Passat Plus é considerado uma "Série Especial". Diferente das versões de série (como o Village ou o LS), essas edições tinham tiragens limitadas.
Estimativa: Acredita-se que foram fabricadas entre 2.000 a 4.000 unidades do Passat Plus no total (somando as versões 1.6 e 1.8).
Por que tão pouco? Ele era um modelo de transição e tinha um preço muito próximo ao do GTS Pointer. Quem queria desempenho ia para o Pointer; quem queria luxo extremo ia para o LSE (Iraquiano) ou para o Santana, que acabava de ser lançado.
1985: O Ápice com o Motor AP 1.8
Em 1985, o Passat atingiu sua maturidade máxima de performance. Com a introdução do motor AP-800 (1.8), o carro se tornou imbatível nas estradas.
Passat GTS Pointer 1.8: Este é considerado por muitos o melhor Passat nacional de todos os tempos. Com motor 1.8 de 99 cv (declarados para fins de imposto, mas eram mais), bancos Recaro e rodas "pingo d'água".
Visual Atualizado: Os para-choques passaram a ser envolventes e de plástico, seguindo a tendência do Santana, tornando o design do Passat muito mais atual.
Curiosidade de 1985: O Passat GTS Pointer 1.8 de 1985 era tão rápido que conseguia desafiar carros com motores muito maiores, como o Opala 4.1, em retomadas de velocidade.
1986: A Sobrevida de um Clássico
Mesmo com o sucesso do Santana, o Passat continuava firme em 1986, atendendo a um público fiel que preferia a pegada mais esportiva e direta do modelo antigo.
Versões GL e GTS: A linha foi simplificada. O GL (Gran Luxo) era a opção equilibrada, enquanto o GTS Pointer continuava sendo o sonho de consumo dos entusiastas de velocidade.
Aprimoramentos de Segurança: O sistema de freios recebeu novos discos e pastilhas, garantindo que o potente motor 1.8 fosse domado com segurança em qualquer situação.
Curiosidade de 1986: Em 1986, o Passat era o carro com o melhor valor de revenda da VW, pois sua mecânica AP já era considerada indestrutível.
1987: O Início da Despedida
Em 1987, o Passat começou a sentir o peso da idade perante a nova geração da família Gol (GTi e GTS). Foi o ano em que a produção começou a ser reduzida.
Manutenção do GTS Pointer: Mesmo sendo o penúltimo ano, a VW manteve o nível. O GTS Pointer de 87 ainda trazia o que havia de melhor: painel completo, bancos Recaro e o ronco inconfundível do motor AP.
Volkswagen Voyage Flash: O Voyage Flash foi uma das séries especiais mais icônicas da linha "quadrada". Lançado em 1987, ele serviu como uma despedida de luxo para a frente alta (faróis grandes), trazendo itens de performance e conforto que antes eram exclusivos do Gol GTS. Foi o carro que provou que o Voyage poderia ser, ao mesmo tempo, um sedan familiar e um esportivo de respeito.
Foco em Qualidade: Como a produção era menor, o controle de qualidade era rigoroso. Os modelos 87 são conhecidos pelo excelente ajuste de carroceria e ausência de ruídos internos.
Curiosidade de 1987: Foi neste ano que o Passat começou a se tornar um "carro de nicho", saindo do mercado de massa para ser um item de puristas.
1988/1989: O Canto do Cisne do Passat Nacional
O ano de 1988 marcou o fim da produção do Passat no Brasil (com algumas unidades emplacadas em 89). Foi uma despedida digna para o carro que mudou a Volkswagen.
Últimas Unidades: O GTS Pointer e o GL foram os últimos a sair da linha de montagem. As unidades de 1988 são extremamente raras e disputadas por colecionadores de "placa preta".
O Legado AP: Ele saiu de cena, mas deixou o motor AP como herança para toda a linha VW (Gol, Santana, Parati), garantindo que sua alma continuasse nas ruas por mais 20 anos.
Curiosidade de 1988/89: O último Passat nacional saiu da fábrica de São Bernardo do Campo em 2 de dezembro de 1988, encerrando um ciclo de 14 anos e mais de 670 mil unidades produzidas.
1995: O Retorno como Importado (B4)
Após 7 anos fora, o nome Passat voltou ao Brasil em 1995, mas agora como um sedan de luxo importado da Alemanha (Geração B4), mudando totalmente de patamar.
Passat Variant e Sedan: Equipados com o motor 2.0 de 115 cv ou o lendário VR6 de 174 cv, esses carros traziam freios ABS, airbags e um nível de luxo que o Brasil ainda não conhecia em carros médios.
Design Europeu: O visual era sóbrio e elegante, focado no conforto executivo e na segurança alemã para rodar em altas velocidades em rodovias.
Curiosidade de 1995: O motor VR6 de 1995 é um marco da engenharia: um motor de 6 cilindros tão compacto que cabia no cofre de um carro médio, produzindo um som inesquecível.
2001: A Era W8 e o Luxo Absoluto (B5.5)
Em 2001, o Passat (Geração B5.5) era o auge da tecnologia do grupo VW, compartilhando plataforma com a Audi e oferecendo sofisticação de primeiro mundo.
Passat V6 e W8: Além do equilibrado motor 1.8 Turbo, a VW lançou o insano Passat W8 com tração integral 4Motion. Era um carro de luxo capaz de enfrentar Mercedes e BMW de igual para igual.
Acabamento Superior: Painel com iluminação azul e vermelha, detalhes em madeira real e couro de alta qualidade faziam deste Passat o melhor carro da Volkswagen no Brasil na época.
Curiosidade de 2001: O Passat W8 é hoje um dos carros mais raros do Brasil, sendo uma obra-prima da engenharia com seus 8 cilindros em um arranjo único no mundo.
2012: O Passat CC e a Elegância (B7)
Em 2012, a linha Passat se dividiu entre o sedan clássico e o belíssimo Passat CC (Comfort Coupé), que trazia linhas de coupé em um sedan de quatro portas.
Motor 2.0 TSI: Equipado com o motor turbo de 211 cv e câmbio DSG de dupla embreagem, o Passat 2012 oferecia uma performance esportiva com consumo de carro popular em estrada.
Tecnologia de Ponta: Já contava com Park Assist (estacionava sozinho), ACC (controle de cruzeiro adaptativo) e faróis de xenônio com acompanhamento de curva.
Curiosidade de 2012: O Passat B7 de 2012 introduziu o sistema de abertura do porta-malas por sensor de movimento (passar o pé por baixo), algo que era pura ficção científica na época.
2014/2015: A Geração MQB e o Futuro (B8)
Em 2015, o Passat adotou a plataforma MQB, tornando-se mais leve, mais largo e muito mais tecnológico, sendo eleito o "Carro do Ano" na Europa.
Passat Highline: O modelo topo de linha trazia o painel digital Active Info Display, motor 2.0 TSI de 220 cv e uma central multimídia de última geração com espelhamento de celular.
Design Atemporal: Com linhas retas e faróis Full LED, o Passat 2015 se tornou um exemplo de design que não envelhece, mantendo a sobriedade e a imponência.
Curiosidade de 2014/15: Esta geração foi tão premiada que muitos especialistas a consideram superior a sedãs de marcas de luxo tradicionais, entregando mais tecnologia por um preço mais competitivo.





















































































































