Pick-up Fiat: A Pequena Notável que Inventou um Segmento no Brasil (1980-1991)
1980: A Consolidação da Picape Urbana
Em 1980, a Pick-up Fiat já era um sucesso absoluto nas cidades brasileiras. Baseada na plataforma do 147, ela inaugurou um segmento novo: o de utilitários leves derivados de carros de passeio, oferecendo a agilidade de um compacto com a força de um trabalhador.
Agilidade no Trânsito: Diferente das picapes grandes da época, a Fiat conseguia entrar em qualquer vaga e circular por ruas estreitas com facilidade. O motor 1300 a álcool era o favorito, pois entregava o torque necessário para carregar o peso extra na caçamba com economia.
Capacidade de Carga: Mesmo pequena, ela era projetada para levar até 450 kg. A suspensão traseira era reforçada com feixe de molas transversais, uma característica herdada do 147 que garantia estabilidade mesmo quando a caçamba estava cheia.
Curiosidade de 1980: Ela se tornou a "queridinha" dos pequenos comerciantes e entregadores de jornais. Foi o primeiro veículo de carga que muitos brasileiros conseguiram comprar zero quilômetro para abrir o próprio negócio.
1981: O Ano da Versatilidade e Novas Cores
Em 1981, a Fiat refinou o visual da picape para acompanhar a "Frente Europa". O utilitário deixou de ter cara de "carro de obra" para ganhar um aspecto mais moderno, atraindo também o público jovem que buscava um carro para carregar pranchas de surfe ou motos.
Estilo e Praticidade: Com os novos faróis poligonais e grade integrada, a picape ficou visualmente mais robusta. O interior recebeu bancos mais resistentes e um painel simplificado, porém funcional, focado na durabilidade do uso diário.
Câmbio de 5 Marchas: Assim como o hatch, a picape passou a oferecer a 5ª marcha como opcional. Isso ajudava muito nas viagens de entrega em rodovias, permitindo que o motor trabalhasse mais solto e economizasse combustível.
Curiosidade de 1981: Foi neste ano que as cores vibrantes começaram a aparecer mais nas picapes, saindo do tradicional branco e cinza, refletindo o uso do veículo para o lazer e não apenas para o trabalho bruto.
1983: A Evolução para o Estilo Spazio
Em 1983, a Pick-up Fiat seguiu os passos do hatch e adotou o novo padrão visual da linha Spazio. Essa mudança foi estratégica para distanciar o utilitário da imagem de "carro básico" e alinhar o modelo ao que havia de mais moderno no design da Fiat na época.
Frente Mais Imponente: A principal mudança foi a adoção dos faróis maiores e da grade frontal mais alta e robusta. Os para-choques de polipropileno substituíram as lâminas de metal em algumas versões, conferindo uma aparência muito mais resistente e atual para o trabalho.
Melhorias na Cabine: O interior de 1983 recebeu melhorias no isolamento acústico e novos revestimentos. O objetivo era oferecer um ambiente de trabalho menos cansativo para o motorista que passava o dia inteiro fazendo entregas, com comandos mais suaves e bancos com melhor suporte.
Refino Mecânico: O motor 1300 continuava sendo o coração do modelo, mas recebeu ajustes no carburador para melhorar o consumo e a partida a frio, especialmente nas versões movidas a álcool, que já eram a grande maioria da frota nacional.
Curiosidade de 1983: Foi neste ano que a picape começou a ser vista com mais frequência com acessórios como o "Santo Antônio" e protetores de caçamba, já que o público jovem começava a comprar o modelo não apenas para o trabalho, mas como um veículo de lazer e estilo de vida.
1985: A Transição para a Linha City
O ano de 1985 foi marcante porque a picape sobreviveu ao fim do 147 tradicional. Enquanto o hatch saía de cena, a picape continuava firme, agora adotando o nome City em algumas versões e herdando o visual moderno do Spazio.
Frente Spazio: A Pick-up 1985 adotou os faróis grandes e a grade mais imponente. Isso deu uma sobrevida ao modelo, mantendo-o competitivo mesmo com o lançamento da nova concorrência (como a VW Saveiro e a Ford Pampa).
Robustez Provada: A mecânica 1300 estava em seu auge de confiabilidade. O sistema de arrefecimento e a suspensão já tinham sido tão testados que a Pick-up Fiat era considerada inquebrável por muitos frotistas de serviços públicos.
Curiosidade de 1985: Muitas empresas de telefonia e eletricidade adotaram a Pick-up Fiat como padrão em 85 devido ao baixo custo de manutenção e à facilidade de encontrar peças em qualquer canto do Brasil.
1986: O Surgimento da Pick-up LX
Em 1986, a Fiat decidiu que quem trabalhava também merecia conforto. Surgiu a versão LX, uma picape com acabamento superior, mostrando que um utilitário poderia ter mimos que antes eram exclusivos dos carros de passeio de luxo.
Conforto de Luxo: A versão LX trazia bancos de veludo, painel com conta-giros, relógio digital e um volante com melhor empunhadura. Por fora, frisos laterais e calotas exclusivas diferenciavam o modelo das versões de carga puras.
O Motor 1.3 Potente: O motor a álcool de 1.3 litros era refinado para oferecer respostas mais rápidas. Era a picape mais ágil da categoria, ideal para quem precisava de pressa nas entregas ou simplesmente gostava de uma condução mais esperta.
Curiosidade de 1986: A Pick-up LX 86 é hoje uma das mais procuradas por colecionadores, pois representa o equilíbrio perfeito entre a estética clássica da Fiat e o conforto dos anos 80.
1988: A Chegada da Motorização Sevel 1.5
O ano de 1988 trouxe uma revolução sob o capô. A Pick-up passou a utilizar o motor Sevel 1.5, de origem argentina, que deu ao utilitário o fôlego que faltava para encarar subidas com carga total sem esforço.
Mais Torque e Potência: Com o motor 1.5, a picape ficou muito mais valente. O torque em baixas rotações melhorou significativamente, facilitando o trabalho de carregar materiais de construção ou mercadorias pesadas em cidades com muitas ladeiras.
Visual Atualizado: Pequenos detalhes estéticos nas lanternas e nos emblemas marcaram o modelo 88. O interior também ganhou novos revestimentos de porta, focando em materiais que fossem fáceis de limpar após um dia de trabalho.
Curiosidade de 1988: Com o motor 1.5, a Pick-up Fiat se tornou uma das favoritas para a instalação de capotas de fibra, transformando-se em pequenos furgões fechados improvisados que rodavam o país inteiro.
1991: O Último Ano do Visual Clássico e a Despedida
1991 foi o ano de encerramento de um ciclo. Foi a despedida do visual derivado da plataforma 147 para dar lugar definitivo à nova geração baseada no Uno, que já vinha ganhando espaço como a "Fiorino Picape".
Canto do Cisne: Os modelos 91 são os mais refinados da série. Com toda a experiência acumulada em mais de uma década, a Fiat entregou uma picape com montagem precisa e mecânica à prova de falhas, sendo o ápice da evolução do projeto original.
Valor de Revenda: Mesmo com a chegada de modelos novos, a picape 91 manteve um valor de revenda altíssimo, pois os trabalhadores sabiam que aquele era um veículo que não os deixaria na mão em nenhuma circunstância.
Curiosidade de 1991: A despedida da "Picape do 147" em 91 deixou muitos saudosistas, mas abriu caminho para que a Fiat se tornasse a líder absoluta do segmento de picapes leves no Brasil, posição que ela ocupa até os dias de hoje com a Strada.































