Dodge 700: A Força V8 que Ajudou a Construir o Brasil
Seja bem-vindo a mais um resgate histórico aqui no Manuais do Proprietário. Quando falamos de veículos pesados que marcaram época nas estradas brasileiras, é impossível não reservar um capítulo especial para a linha de caminhões Dodge, fabricada pela Chrysler do Brasil na década de 1970. Hoje, vamos focar as atenções em um verdadeiro ícone da robustez: o Dodge 700.
Lançado no final dos anos 60 e ganhando força ao longo da década seguinte, o Dodge 700 (junto com seus irmãos menores e maiores) representou a resposta da Chrysler à crescente demanda por transporte de cargas em um Brasil que se expandia rapidamente.
Ficha Técnica Resumida (Baseada nos Catálogos de Época)
Para quem gosta de ir direto aos dados precisos que costumamos encontrar nos manuais originais:
Capacidade de Carga: O Dodge 700 era classificado na categoria de peso médio/pesado, projetado para suportar aplicações severas, com PBT (Peso Bruto Total) girando em torno de 11.000 a 12.000 kg, dependendo da configuração de chassi e eixos.
Transmissão: Câmbios robustos de 4 ou 5 marchas (frequentemente caixas Clark ou Eaton), com a opção de eixo traseiro de dupla velocidade (o famoso "reduzido"), fundamental para multiplicar o torque nas subidas íngremes.
Cabine: O design era inconfundível. A grade frontal imponente com faróis duplos (nos primeiros modelos) e os para-lamas largos davam ao Dodge 700 uma "cara de mau". O interior, embora espartano para os padrões de hoje, oferecia um painel de instrumentos completo e de fácil leitura, essencial para o monitoramento da máquina.
O Coração do Gigante: Motorização e Desempenho
Uma das características mais marcantes dos caminhões Dodge daquela época era a sua motorização. O modelo 700 podia ser encontrado basicamente em duas grandes vertentes que ditavam seu comportamento nas rodovias e estradas de terra:
Dodge E-700 (Gasolina/Álcool): Equipado com o lendário motor V8 318 polegadas cúbicas (5.2 litros). Para muitos motoristas da época, ouvir o ronco desse V8 trabalhando com carga máxima era uma sinfonia inesquecível. Embora o consumo fosse alto para os padrões atuais, a potência e o torque em baixas rotações garantiam que o caminhão não "negasse fogo" nas subidas.
Dodge D-700 (Diesel): Para atender à demanda por maior economia e durabilidade em longas distâncias, a Chrysler também oferecia a variante a diesel, geralmente equipada com os valentes motores Perkins (como o 6.357). Era a escolha preferida de frotistas e caminhoneiros autônomos que cruzavam o país.



