Catálogo Clássico: Os Valentes Mercedes-Benz LA, LAK e LAS 1113 com Tração Total
Olá, amigos e entusiastas da história automotiva! Hoje, aqui no Manuais do Proprietário, vamos mergulhar nas páginas de um catálogo fascinante que resgata a era de ouro do transporte de carga no Brasil. Vamos falar de uma verdadeira lenda das nossas estradas e canteiros de obras: a linha de veículos médios Mercedes-Benz 1113, especificamente em suas versões de tração total (LA, LAK e LAS).
Se você gosta de mecânica robusta e veículos clássicos que ajudaram a construir o país, prepare-se para uma viagem no tempo com os detalhes técnicos e algumas curiosidades sobre esses gigantes de aço.
A Família da Tração Total: Feitos sob Medida
O catálogo de época da Mercedes-Benz deixa claro o propósito dessa linha: "Veículos de Qualidade" feitos para enfrentar testes duríssimos sem reprovação. Com um Peso Bruto Total (PBT) de 11.000 kg e uma Capacidade Máxima de Tração (CMT) de impressionantes 19.000 kg, a linha 1113 4x4 foi dividida em três variantes principais para atender diferentes necessidades:
LA-1113: Oferecido com distâncias entre-eixos de 4200 mm e 4830 mm. Era o campeão para o transporte de cana-de-açúcar, extração de madeira em áreas de serra, e serviços em redes elétricas e gasodutos onde o asfalto não chegava.
LAK-1113: A versão basculante. Vinha de fábrica com tomada de força para acionar mecanismos hidráulicos, sendo o veículo ideal para mineração, campos petrolíferos e obras pesadas de terraplenagem.
LAS-1113: O "cavalo mecânico" da turma, destinado a tracionar semi-reboques de um eixo. Perfeito para buscar gado em fazendas de difícil acesso ou transportar grandes troncos, contando inclusive com um sobre-quadro especial no chassi e barra estabilizadora traseira para garantir a segurança com a quinta-roda.
O Coração da Lenda: Motor Diesel OM-352
Se há algo que tornou o 1113 inesquecível, foi o seu motor. O catálogo destaca o lendário OM-352, que entregava 130 cv (DIN) ou 147 cv na medição bruta (SAE).
O segredo de seu alto rendimento e economia estava no sistema de injeção direta. O ar, ao entrar na câmara de combustão, passava por condutos de admissão de formato helicoidal, criando um movimento rotativo. Quando o combustível era injetado no final da compressão, a mistura era perfeita, resultando em uma queima gradativa, rápida e uniforme. Tudo isso, aliado a um trocador de calor entre a água e o óleo lubrificante, garantia a famosa "vida longa" característica da estrela de três pontas.
Transmissão e Chassi: A Espinha Dorsal Forte
Para domar a força do OM-352 no barro, a Mercedes equipou esses modelos com uma caixa de mudanças de cinco marchas sincronizadas. Mas o grande diferencial das séries LA/LAK/LAS era a caixa de transferência. Quando acionada, ela transmitia a força motriz simultaneamente para as rodas dianteiras e traseiras, multiplicando a capacidade de tração em condições severas.
A força chegava às rodas através de eixos traseiros com pinhão e coroa hipóides (que distribuíam melhor o esforço nas engrenagens), tudo montado sobre um chassi tipo escada de extrema robustez, com longarinas em perfil "U" e travessas rebitadas a frio. A direção mecânica por esferas circulantes (com opção de direção hidráulica sob encomenda) garantia manobras ágeis mesmo em espaços reduzidos.
Curiosidades do Mercedes-Benz 1113
Para complementar as informações do nosso acervo, separamos alguns fatos que marcaram a história deste caminhão:
O que significam as letras? A nomenclatura da Mercedes-Benz segue o idioma alemão. O "L" vem de Lastwagen (Caminhão). O "A" significa Allradantrieb (Tração em todas as rodas). O "K" é de Kipper (Basculante) e o "S" vem de Sattelschlepper (Caminhão trator / Cavalo Mecânico).
O Sucessor do 1111: O 1113 foi lançado no Brasil no final da década de 1960 como uma evolução natural do já consagrado L-1111, trazendo principalmente melhorias no motor (saiu a injeção indireta, entrou o sistema de injeção direta mais eficiente do OM-352).
Apelido Carinhoso: Em várias regiões do Brasil, a cabine semi-avançada (bicuda) e o som inconfundível do motor renderam ao 1113 o apelido carinhoso de "Muriçoca" ou simplesmente "Bicudo".
Campeão de Vendas: A linha 1113 é considerada uma das mais vendidas da história do país, sendo produzida por quase duas décadas e se tornando o verdadeiro pilar logístico do Brasil nas décadas de 70 e 80.
O "Canto" da Turbina: Embora o catálogo mostre a versão naturalmente aspirada, muitos proprietários adaptavam turbinas posteriormente, criando o famoso "canto" pelo escapamento nas trocas de marcha, uma sinfonia inesquecível para quem viveu a época nas rodovias.















