sexta-feira, 4 de agosto de 2023

MANUAL DO ENGESA EE-34 (DOWNLOAD PDF)




Engesa EE-34: O Caminhão Leve que Desafiou Qualquer Terreno

Se existe uma marca que evoca robustez extrema no imaginário automotivo brasileiro, essa marca é a Engesa. Conhecida mundialmente pelos seus blindados de combate (como o Cascavel e o Urutu), a empresa paulista também aplicou sua engenharia militar em veículos utilitários civis e militares de menor porte. Entre eles, o Engesa EE-34 se destaca como um caminhão leve 4x4 praticamente indestrutível.

Neste artigo, vamos acelerar na história, na mecânica e no maior segredo desse monstro do fora de estrada.

A Origem: Substituindo uma Lenda

Lançado na década de 1970, o EE-34 (iniciando o projeto na plataforma do "Envemo" e evoluindo com a engenharia da própria Engesa) tinha um objetivo comercial e militar bem definido: oferecer uma alternativa nacional moderna aos antigos caminhões da Segunda Guerra, como os Dodge WC de 3/4 de tonelada.

Ele foi projetado para o Exército Brasileiro, mas logo conquistou empresas de infraestrutura, eletrificação, mineração e, claro, os apaixonados pelo fora de estrada pesado que precisavam carregar carga de verdade em locais de difícil acesso.

Suspensão Articulada e Valente

Ao contrário dos irmãos maiores de três eixos da marca, que usavam o famoso sistema Bumerangue, o EE-34 (por ser um 4x4 leve de dois eixos) apostava em uma receita sob medida para aguentar o tranco. Nas versões mais modernas (Fase 2), ele contava com eixos rígidos suspensos por molas helicoidais e braços tensores.

Essa configuração dava ao caminhãozinho uma capacidade de articulação impressionante para a época, permitindo que as quatro rodas copiassem terrenos severos com facilidade e mantivessem a tração constante, sem a rigidez excessiva dos feixes de mola tradicionais.

Mecânica Confiável e Sem Frescuras

A Engesa sabia que veículo militar não pode quebrar e, se quebrar, precisa de conserto rápido com peças fáceis de encontrar. Por isso, a motorização e transmissão do EE-34 apostavam no que o mercado brasileiro tinha de mais consolidado:

  • Motorização: Originalmente, muitos saíram de fábrica equipados com o confiável motor Chevrolet de 6 cilindros em linha (4.1L) a gasolina (o mesmo do Opala e das picapes C-10/A-20) ou variantes a diesel, como os motores Perkins 4.236 ou Maxion/MWM em adaptações posteriores e reformas de colecionadores.


  • Câmbio: Geralmente equipado com caixa Clark de 4 ou 5 marchas, com acionamento preciso e relações curtas para privilegiar o torque.

  • Capacidade: Classificado para transportar cerca de 1,5 tonelada (ou 3/4 de tonelada em uso estritamente militar severo), ele cruzava rios, banhados e subidas íngremes sem reclamar.

Legado e Colecionismo

Com o fechamento da Engesa no início dos anos 90, o EE-34 tornou-se uma raridade cobiçada. Hoje, encontrar um exemplar em bom estado de conservação — seja com a clássica carroceria militar de lona ou com caçamba de metal/madeira — é o sonho de muitos colecionadores de veículos militares e jipeiros pesados.

Sua manutenção, embora demande atenção específica para os componentes exclusivos dos eixos Engesa, é facilitada pela mecânica compartilhada com a linha GM da época. O EE-34 não era apenas um meio de transporte; era uma ferramenta de engenharia feita para durar décadas.

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