quinta-feira, 15 de agosto de 2024

MANUAL VOLKSWAGEN KARMANN GHIA TC 1975 (DOWNLOAD PDF GRÁTIS)

 


MANUAL VOLKSWAGEN KARMANN GHIA TC 1975 E SUA HISTÓRIA.


O Karmann-Ghia TC (Touring Coupé) de 1975 representa o ápice e, ao mesmo tempo, o ato final de um dos projetos mais ambiciosos da indústria automobilística brasileira. Conhecido internamente como Protótipo 145, o TC foi uma tentativa ousada da Volkswagen do Brasil de criar um sucessor moderno para o lendário Karmann-Ghia original (Tipo 14), unindo a mecânica confiável da marca alemã com um design inspirado no Porsche 911.

MANUAL VOLKSWAGEN KARMANN GHIA TC 1975

O Nascimento e o Design Italiano

Diferente de muitos carros nacionais que eram apenas adaptações de modelos europeus, o TC foi um projeto "híbrido". Embora fabricado em São Bernardo do Campo, suas linhas foram desenhadas no estúdio da Ghia, na Itália, sob a supervisão do renomado designer Giorgetto Giugiaro. O objetivo era criar um carro com perfil de "fastback", eliminando a traseira destacada do modelo anterior.

MANUAL VOLKSWAGEN KARMANN GHIA TC 1975  -GIOGERTTO

O modelo 1975, especificamente, carrega a maturidade desse design. O carro se destaca pelos faróis levemente recuados, pela grade falsa na dianteira (que servia apenas para ventilação da buzina e estética) e, principalmente, pelas suas lanternas traseiras horizontais e largas, que conferiam ao modelo um aspecto de carro de categoria superior.


A Alma Mecânica: O "Boxer" 1600

O Karmann-Ghia TC 1975 era montado sobre a plataforma da Variant, o que lhe conferia uma dinâmica diferente do Fusca. O motor era o clássico VW Boxer 1600 cm³, refrigerado a ar, mas com uma configuração específica: a versão de baixa estatura (plana). Graças à adoção de dois carburadores Solex 32/34, o motor rendia cerca de 65 cv (SAE), o que permitia ao cupê atingir uma velocidade máxima próxima dos 145 km/h.

MANUAL VOLKSWAGEN KARMANN GHIA TC 1975 - MOTOR 1600

A grande vantagem dessa mecânica era a facilidade de manutenção e a disponibilidade de peças, algo que o tornava um esportivo "utilizável" no dia a dia. No entanto, por ser um carro pesado (cerca de 920 kg), o desempenho não era tão explosivo quanto o visual sugeria, o que lhe rendeu o apelido carinhoso, mas irônico, de "esportivo de vitrine".


Conforto e Interior

Por dentro, o TC 1975 era significativamente mais luxuoso que um Fusca ou uma Brasília. O painel era completo, com acabamento em imitação de madeira ou preto fosco, contando com velocímetro, marcador de combustível e um relógio (ou conta-giros em versões acessórias). Os bancos dianteiros eram individuais e mais anatômicos, enquanto o espaço traseiro, embora sacrificado pelo caimento do teto fastback, permitia levar crianças ou bagagens leves. Um detalhe curioso era o sistema de ventilação, que tentava contornar o isolamento térmico muitas vezes precário dos carros refrigerados a ar.


O Manual do Proprietário do TC 1975

Para o colecionador atual, o manual do proprietário do TC 1975 é uma peça de ouro. Ele continha instruções detalhadas sobre a manutenção da carburação dupla (que exigia sincronia perfeita para o motor não "mancar") e o plano de lubrificação dos pinos graxeiros da suspensão dianteira. Ter este manual original é a prova de que o veículo foi mantido sob os padrões de fábrica, preservando as especificações de um dos carros mais bonitos já feitos em solo brasileiro.

O Karmann-Ghia TC 1975 não é apenas um carro; é um testemunho de uma época em que o Brasil ousava criar ícones de beleza internacional sobre a simplicidade da mecânica Volkswagen.

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