Dodge D900 e D950: Os Gigantes de 13 Toneladas que Fizeram História
Seja bem-vindo a mais um resgate histórico aqui no Manuais do Proprietário. Nas nossas últimas postagens, exploramos a força do D700 e a versatilidade do D400. Mas hoje, vamos subir de categoria e falar dos verdadeiros "pesos-pesados" da Chrysler do Brasil na década de 1970: os imponentes Dodge D900 e D950.
Projetados para encarar as piores condições das rodovias brasileiras de antigamente, esses caminhões foram a cartada máxima da Dodge para dominar o segmento de 13 toneladas de Peso Bruto Total (PBT), batendo de frente com lendas consolidadas como o Mercedes-Benz L-1113 e o Chevrolet D-70.
A História e o Mercado: O Desafio dos Pesados
O Dodge D900 chegou ao mercado nacional no final de 1970 (já como linha 1971), trazendo o que a Chrysler sabia fazer de melhor: robustez de chassi e uma cabine muito superior em conforto quando comparada à concorrência. Ele vinha com opções de direção hidráulica, freios a ar e um painel de instrumentos completíssimo que virou marca registrada da montadora.
Como foram as vendas? O D900 teve um impacto inicial excelente. Os motoristas adoravam o conforto da cabine e o espaço interno, além da durabilidade do chassi de longarinas retas. No entanto, o mercado de pesados nos anos 70 era implacável. Os frotistas queriam economia, e a Crise do Petróleo forçou a montadora a evoluir rapidamente suas motorizações para não perder espaço.
Para atender à demanda por mais potência e durabilidade a diesel, a linha evoluiu e deu origem ao Dodge D950 (e, posteriormente, ao cultuado D950S). Com mecânica atualizada e reforços estruturais, a Dodge conseguiu se manter altamente competitiva no transporte de grãos, madeira e cargas secas por todo o país.
O Coração Mecânico: Da Gasolina ao Diesel MWM
Para quem é apaixonado pelas fichas técnicas que preservamos nos manuais, a evolução mecânica do D900 e D950 é fascinante:
A Força do V8 a Gasolina: O D900 original podia vir equipado com o poderoso motor V8 318 polegadas cúbicas (5.2 litros), gerando cerca de 203 cv. Era, sem dúvida, o caminhão a gasolina mais potente do Brasil na época. O torque e o ronco eram espetaculares, mas o consumo em aplicações severas pedia uma alternativa a óleo.
A Era Diesel: Logo vieram as opções a diesel, primeiro com os confiáveis motores Perkins (como o 6.354). Mais tarde, a consagração veio com o Dodge D950S, que adotou o moderno e cobiçado motor MWM D-229/6 (5.9 litros), rendendo 145 HP de força bruta.
Transmissão: Toda essa força era administrada por caixas de câmbio fortíssimas, geralmente da Clark (como as séries 280V ou 280VH) ou Eaton Fuller de 5 marchas, casadas com um eixo traseiro de dupla velocidade (o famoso reduzido).
Curiosidades Incríveis Sobre a Linha D900/D950
O DNA dos Caminhões Volkswagen: Pouca gente sabe, mas o D900 e o D950 pavimentaram o caminho para uma das maiores montadoras do país. No final da década de 70, a Volkswagen comprou a Chrysler do Brasil. Os primeiros caminhões VW fabricados no Brasil (como o VW 11.130 e 13.130) herdaram diretamente a engenharia de chassi e o projeto básico das cabines desenvolvidas pela Dodge!
Estrela de TV: Se você tem boa memória para a televisão brasileira dos anos 80, deve se lembrar do lendário seriado Carga Pesada. Em sua segunda fase, um espetacular Dodge D950S amarelo, trucado (com terceiro eixo adaptado), foi a grande estrela cruzando as estradas na telinha, consagrando a imagem de resistência do caminhão.
Rodas Raiadas: Os primeiros D900 eram facilmente identificados por ostentarem belíssimas e imponentes rodas raiadas de fábrica, um detalhe estético (e funcional para refrigeração dos freios) que sumiu nos caminhões mais modernos.






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