VEMAG S.A. 1958: O Plano em Marcha Acelerada que Mudou a Indústria Automobilística Brasileira
Se voltarmos ao final dos anos 1950, encontraremos a indústria automobilística nacional em pleno processo de consolidação e nacionalização, sob a batuta e as diretrizes do G.E.I.A. (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), presidido pelo Ministro Lúcio Meira. E, no centro dessa revolução industrial, estava a VEMAG S.A. (Veículos e Máquinas Agrícolas).
Apresentamos hoje a análise de um folder publicitário histórico da VEMAG de 1958, intitulado "Um Plano em Marcha Acelerada", que ilustra perfeitamente o otimismo, a diversidade de produtos e o compromisso da marca com o desenvolvimento do transporte no Brasil.
"Pioneira da Indústria Automobilística na América Latina"
Com a chancela de "há mais de doze anos plantando e transportando o progresso", a VEMAG destacava no prospecto o seu orgulho e pioneirismo. O material trazia inclusive uma citação marcante do Ministro Lúcio Meira:
"... em etapas de nacionalização, fixadas ao longo de um critério objetivo e realista" — Ministro Lúcio Meira, Presidente do G.E.I.A.
A mensagem institucional reforçava o compromisso em atingir a nacionalização progressiva e definitiva dos veículos fabricados na fábrica da Rua Copas, 1036, em São Paulo, confiante no futuro e na consolidação do setor nos três anos seguintes.
A Linha de Veículos DKW-VEMAG e Scania-Vabis em 1958
O grande destaque do folheto é a apresentação das quatro vertentes da linha de montagem e fabricação da VEMAG na época, atendendo desde o transporte urbano de passageiros até o trabalho pesado nas estradas e no campo:
1. Camioneta DKW-VEMAG (A Perua / Vemaguet)
Definida no material como "dois veículos num só", a elegante perua trazia extrema praticidade:
Capacidade Versátil: Alternava rapidamente de um confortável automóvel para 5 pessoas e 100 kg de bagagem para um utilitário capaz de levar até 450 kg de carga.
Proposta: Um veículo versátil, útil e econômico para a família e para o trabalho.
2. Jipe DKW-VEMAG (O Candango)
O valente jipe com tração nas quatro rodas era apresentado como o veículo que "topa tudo":
Características Técnicas: Tração permanente nas 4 rodas, sólida chapa de aço protegendo as partes vitais do motor e caixa de mudança.
Desempenho Off-Road: Transpunha matas, brejos, riachos e rampas de até 60% de inclinação.
Diferencial: Destacava-se por ser o único veículo do seu tipo no mercado com 4 portas.
3. Carro de Passageiros 4 Portas DKW-VEMAG (O Sedã / Belcar)
Descrito como "Um carro de classe... brasileiro", o sedã de quatro portas combinava economia com a distinção dos modelos europeus:
Conforto e Estilo: Linhas sóbrias e elegantes com capacidade para 5 ou 6 passageiros.
Praticidade: Espaçoso porta-malas e a comodidade do acesso pelas 4 portas, sendo considerado o orgulho da indústria automobilística nacional.
4. Caminhões e Ônibus Scania-Vabis
Além da linha leve e utilitária DKW, a VEMAG fabricava sob licença no Brasil os pesados da marca sueca Scania-Vabis:
O Rei da Estrada: Título dado aos lendários caminhões e chassis de ônibus conhecidos pela robustez incomparável.
Presença: Um verdadeiro "gigante sobre rodas" já consagrado nas estradas brasileiras e agora montado/fabricado localmente pela VEMAG.
Peças Genuínas e Rede de Assistência Técnica
Para garantir a confiabilidade dos proprietários, o verso do folder dedicava espaço especial ao pós-venda e à reposição de peças genuínas:
Controle de Qualidade: Componentes (como juntas de cabeçote, pistões, amortecedores e cilindros/reservatórios de freio) rigorosamente executados dentro das especificações originais.
Rede Nacional: Cobertura de distribuição e assistência técnica com firmas associadas nas principais capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife), além de mais de 170 Revendedores Autorizados espalhados por todo o país.
Um Registro Histórico Valioso
Este folder de 1958 é um documento precioso sobre a transição do Brasil para a era industrial. Ele mostra uma VEMAG forte, diversificada e pronta para motorizar o país com a lendária mecânica dois tempos dos DKW e a força bruta dos caminhões Scania-Vabis.




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