Ford 1960: O Ano da Revolução Silenciosa e do Design Retilíneo
Se existe um ano que define a mudança de mentalidade da Ford Motor Company nos Estados Unidos, esse ano é 1960. O catálogo da Ford para aquele ano não era apenas uma lista de carros; era um manifesto de uma nova era. Estávamos deixando para trás a extravagância dos anos 50, com suas barbatanas gigantes e cromados excessivos, para abraçar uma estética mais limpa, longa e sofisticada.
Para você, entusiasta e colecionador que aprecia a engenharia clássica, o manual e o catálogo de 1960 revelam segredos de uma época em que a Ford decidiu que "maior era melhor", mas "mais simples era mais elegante".
O Nascimento de um Ícone: O Ford Falcon
A grande estrela do catálogo de 1960 foi, sem dúvida, o Ford Falcon. Em uma resposta audaciosa aos carros europeus que começavam a invadir as ruas americanas, a Ford lançou o Falcon como o "compacto econômico". Com um motor de 6 cilindros em linha (144 polegadas cúbicas), o Falcon prometia — e entregava — uma economia de combustível sem precedentes para os padrões dos EUA, chegando a fazer mais de 12 km/l. O manual do Falcon destacava a simplicidade mecânica, permitindo que o próprio dono fizesse pequenas manutenções, algo que cativou o público e o tornou um sucesso instantâneo de vendas.
A Elegância dos Full-Size: Galaxie e Fairlane
Enquanto o Falcon cuidava da economia, os modelos de tamanho pleno (Full-Size) cuidavam do prestígio. Em 1960, o design da linha Galaxie e Fairlane foi completamente renovado. As barbatanas verticais de 1959 foram substituídas por linhas horizontais que se estendiam por toda a lateral do carro, terminando em luzes traseiras que lembravam o design de turbinas a jato.
O topo de linha era o Galaxie Sunliner (conversível) e o Victoria (hardtop). Esses carros eram verdadeiros iates terrestres. O catálogo da época enfatizava o "Cruise-O-Matic", a transmissão automática que oferecia trocas tão suaves que o motorista mal as percebia. No manual técnico, as especificações dos motores V8 "Thunderbird Special" (352 polegadas cúbicas) mostravam que a Ford não estava de brincadeira quando o assunto era torque e potência para as novas rodovias americanas.
O Thunderbird: O "Personal Luxury Car"
Não podemos falar de 1960 sem mencionar o Thunderbird. Conhecido como "Squarebird" devido ao seu design mais angular, o modelo de 1960 foi o último desta geração. O catálogo o descrevia como o carro para quem queria o desempenho de um esportivo com o luxo de uma limusine. Foi o primeiro carro a popularizar o teto solar elétrico nos EUA e trazia um interior que parecia o cockpit de um avião.
Inovações Técnicas e Segurança
Ao ler o manual de 1960, percebemos o quanto a Ford estava investindo em segurança e conforto, conceitos que hoje parecem básicos, mas eram diferenciais na época:
Deep-Dish Steering Wheel: O volante com cubo profundo, projetado para proteger o motorista em caso de impacto.
Luzes de Advertência: O painel começava a abandonar apenas os ponteiros para adotar luzes indicadoras de pressão de óleo e carga de bateria, facilitando a leitura rápida.
Suspensão "Magic Circle": Um sistema de suspensão dianteira que prometia isolar completamente os passageiros das imperfeições do asfalto.











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