A Época de Ouro: Uma Análise da Linha Chevrolet 1968
A linha Chevrolet de 1968 representou um marco na indústria automobilística, equilibrando o auge do design clássico com inovações tecnológicas de segurança e performance que definiriam as décadas seguintes. O catálogo de 1968 destaca uma variedade impressionante de modelos, desde os econômicos até os lendários muscle cars.
1. Chevrolet Impala e Caprice: O Luxo em Grande Escala
O Chevrolet Impala de 1968 reafirmou seu título de carro mais popular da América. O catálogo destaca o novo estilo "pace-setting" (ditador de tendências), com modificações profundas nos para-lamas dianteiros, grade, tampa do porta-malas e painéis traseiros. Uma inovação visual marcante foi o capô aerodinâmico que escondia o sistema de limpadores de para-brisa "Hide-A-Way", que varre de forma ampla e alta, limpando uma área maior do vidro.
O interior dos modelos Impala e Caprice foi projetado para mimar os ocupantes. O catálogo menciona o uso de estofamento com espuma extra-grossa e tecidos duráveis em cores artísticas. O Caprice Coupe, em particular, apresentava um estilo sofisticado com uma linha de teto formal e janelas laterais curvas sem moldura. No quesito ventilação, o sistema "Astro Ventilation" estreava no Caprice Coupe e era opcional nos demais modelos, permitindo a circulação de ar externo sem a necessidade de abrir janelas, mantendo o ruído, a poeira e a chuva do lado de fora.
Mecanicamente, a linha oferecia desde o V8 padrão de 307 polegadas cúbicas e 200 cv até o monstruoso motor Turbo-Jet V8 de 427 polegadas cúbicas com 385 cv, disponível no pacote SS. A segurança também foi reforçada com luzes de marcação lateral externas (âmbar na frente e vermelha atrás), uma novidade padrão para aquele ano.
2. Chevrolet Chevelle: Versatilidade e Performance
O Chevelle de 1968 foi descrito como "brilhantemente original", apresentando linhas de teto fora do comum e o estilo clássico de capô longo e traseira curta. O modelo SS 396 era a estrela da performance, equipado com um motor Turbo-Jet 396 V8 de 325 cv, grade preta especial e pneus de listra vermelha de perfil largo.
A linha Chevelle era vasta, incluindo o popular Malibu, o luxuoso Concours Estate Wagon e os econômicos modelos 300 e 300 Deluxe. O Malibu se destacava pelo seu visual distinto e interiores em vinil macio ou tecido e vinil. Já o Concours Estate Wagon trazia o luxo das peruas com painéis que imitavam nogueira polida à mão e um espaço de carga generoso de 94 pés cúbicos.
Uma característica técnica importante citada para toda a linha Chevelle de 1968 foi o novo sistema de montagem da carroceria, que isolava o ruído e a vibração da estrada, proporcionando uma condução muito mais silenciosa e suave. Além disso, o interior contava com painéis de instrumentos acolchoados e controles montados ao alcance do motorista, visando a segurança e ergonomia.
3. Chevrolet Camaro: "The Hugger"
O Camaro de 1968 consolidou sua fama com o apelido de "The Hugger" (O que abraça a estrada), devido ao seu centro de gravidade baixo e postura larga (bitola de mais de 59 polegadas), o que o tornava "plano nas curvas". As inovações visuais incluíam uma grade renovada com faróis e luzes de estacionamento recuados, além de janelas laterais curvas em peça única de vidro, graças ao sistema Astro Ventilation.
O catálogo oferecia uma personalização quase infinita através de pacotes como o Rally Sport (RS), que contava com faróis ocultos atrás de uma grade distintiva, e o Super Sport (SS), que podia ser equipado com os motores 350 V8 de 295 cv ou o 396 V8 de 325 cv. No interior, os assentos Strato-bucket eram padrão, reforçando o apelo esportivo do carro.
Tecnicamente, o Camaro de 1968 recebeu melhorias na suspensão traseira com amortecedores montados de forma escalonada (bias-mounted) para melhor tração e controle. As opções de transmissão variavam entre a manual de 3 velocidades padrão, manuais de 4 velocidades, a automática Powerglide ou a Turbo Hydra-Matic, dependendo da motorização escolhida.
4. Chevy II Nova: Totalmente Renovado
Para 1968, o Chevy II Nova foi completamente redesenhado, tornando-se mais longo, mais baixo e com uma postura mais larga. O entre-eixos foi estendido para 111 polegadas, resultando em mais espaço para as pernas e ombros tanto na frente quanto atrás. O design apresentava uma linha de teto suave e janelas laterais curvas, inspiradas nos modelos maiores da Chevrolet.
A linha de motores era diversificada, começando com o Super-Thrift de 4 cilindros e 90 cv (apenas para o Coupe), passando pelo Turbo-Thrift 230 de 140 cv e chegando ao potente Turbo-Fire 307 V8 de 200 cv. Para quem buscava mais emoção, o pacote SS oferecia o motor 350 V8 de 295 cv com componentes de chassi especiais.
O Nova 1968 também focou intensamente na segurança e durabilidade. A carroceria produzida pela Fisher incluía quatro para-lamas internos que ajudavam a proteger contra a corrosão, além de painéis de balancim com descarga e secagem por ar. Novos itens de segurança padrão incluíam cintos de segurança com fivelas de botão para todas as posições e cinzeiro com liberação de segurança no painel.
5. Chevrolet Corvair: O Carro para o Entusiasta
O Corvair de 1968 manteve sua configuração única de motor traseiro, sendo descrito como a "delícia dos raliistas" e a escolha para os jovens. Disponível nas séries Monza e 500, o modelo se destacava pela dirigibilidade ágil. O interior do Monza contava com assentos tipo concha (bucket) em vinil de grão fino e carpetes luxuosos.
O motor padrão era o Turbo-Air 164 de 95 cv, mas os entusiastas podiam optar pelas versões de 110 cv ou 140 cv. Pela primeira vez, o Corvair oferecia um desembaçador de vidro traseiro para os modelos Sport Coupe. A suspensão era totalmente independente por molas helicoidais na frente e na traseira, garantindo o comportamento esportivo característico do modelo.
6. Chevrolet Corvette: O Carro Esporte Americano
O Corvette de 1968, apelidado de Sting Ray, trouxe um visual revolucionário em fibra de vidro com um perfil aerodinâmico agressivo. Pela primeira vez em um carro de produção nos EUA, as seções do teto (T-top) e a janela traseira eram removíveis no modelo Coupe, criando um "teto de fluxo de ar aberto".
O cockpit era inspirado na aviação, com assentos Strato-bucket de encosto alto, console central e instrumentação completa, incluindo tacômetro e relógio de rali. Os faróis eram retráteis e os limpadores de para-brisa ficavam ocultos sob uma tampa móvel.
Em termos de potência, o motor Turbo-Fire 327 V8 de 300 cv era o padrão, mas a linha Corvette era famosa por suas opções de alta performance. A novidade técnica para 1968 foi a disponibilidade da transmissão Turbo Hydra-Matic para alguns motores Corvette, além dos freios a disco nas quatro rodas que eram padrão em todos os modelos.






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