Dodge Polara com Câmbio Automático: O Pioneirismo Esquecido no Brasil
Olá, entusiastas de plantão! Bem-vindos a mais um resgate histórico direto dos nossos acervos e catálogos. Hoje, vamos tirar a poeira do passado para falar de um momento marcante da indústria automotiva nacional: a ousadia da Chrysler em lançar o Dodge Polara com câmbio automático.
Se hoje as transmissões automáticas dominam até mesmo os carros de entrada, no final dos anos 70 o cenário era completamente diferente. Vamos entender como o "Dodginho" tentou mudar essa história.
Do 1800 ao Polara: A Busca pela Redenção
Para entender o peso dessa inovação, precisamos voltar um pouco no tempo. Apresentado inicialmente no final de 1972 como Dodge 1800, o modelo (derivado do inglês Hillman Avenger) chegou para brigar no cobiçado mercado de médios contra gigantes como Chevrolet Chevette, Ford Corcel e VW Passat.
Apesar das belas linhas e do conforto interno, os primeiros anos do 1800 foram marcados por problemas crônicos de mecânica e montagem. A virada de chave aconteceu em 1976. A Chrysler fez uma série de atualizações mecânicas rigorosas e rebatizou o carro como Dodge Polara. O motor 1.8 passou a render os merecidos 93 cv de potência bruta (na calibração da época), trazendo agilidade e restaurando o orgulho de quem o dirigia.
O Marco de 1979/1980: Luxo em Tamanho Médio
O grande salto de requinte veio entre o final de 1979 e a linha 1980. Naquela época, ter um carro automático no Brasil era sinônimo de garagens abastadas: o conforto de não pisar na embreagem era restrito aos gigantes do mercado, como o Ford Landau, os modelos maiores da família Opala e os "irmãos mais velhos" da própria marca, como os Dodge Dart e Charger.
Foi aí que a Chrysler do Brasil surpreendeu e disponibilizou a transmissão automática para as versões GL e a badalada GLS do Polara. Com essa cartada, ele se tornou o primeiro carro da sua categoria a oferecer esse opcional no país.
Como era dirigir o Polara Automático?
Desempenho: A caixa de transmissão foi bem calibrada para o motor 1.8, que já utilizava carburadores mais eficientes. Embora o modelo automático perdesse uma leve fração de agilidade nas acelerações em comparação ao câmbio manual de 4 marchas, o ganho em suavidade para o trânsito urbano compensava.
Conforto Inédito: Com ótimo espaço para as pernas dos ocupantes dianteiros e uma suspensão recalibrada que absorvia bem as valetas brasileiras, o Polara automático oferecia uma rodagem digna de carros de luxo, mas em um pacote que cabia perfeitamente nas vagas apertadas das grandes cidades.
Detalhes de Época: Um modelo GLS automático de 1980 podia vir equipado com maravilhas modernas da época, como rádio toca-fitas estéreo Motorrádio, antena elétrica, pneus radiais e retrovisores maiores e redesenhados.
O Fim Precoce de uma Boa Ideia
Infelizmente, o apogeu do Polara automático durou pouco. Com as vendas gerais da Chrysler não atingindo as expectativas no Brasil e a subsequente compra das operações pela Volkswagen, a produção da linha Dodge nacional foi encerrada no decorrer de 1981, contabilizando pouco mais de 92.600 "Dodginhos" fabricados em toda a sua vida útil.
Hoje, encontrar um Dodge Polara automático íntegro, com selos originais e manual no porta-luvas, é como achar uma agulha num palheiro. É um clássico nacional extremamente raro, cultuado por colecionadores que sabem dar o devido valor a esse pioneiro.




Nenhum comentário:
Postar um comentário