O Rugido do Seis Canecos: Tudo Sobre o Chevrolet Opala 1986
Se você é apaixonado por carros antigos, sabe que poucos nomes impõem tanto respeito no Brasil quanto Chevrolet Opala. Hoje, vamos fazer uma viagem no tempo e aterrissar diretamente no ano de 1986, uma época em que ter um sedã ou cupê de grande porte da General Motors na garagem era o maior símbolo de status e poder que um brasileiro poderia ostentar.
O ano de 1986 é um ponto muito interessante na cronologia do Opala. Ele já estava bem maduro na sua fase de linhas retas (que começou na reestilização de 1980) e preparava terreno para as grandes mudanças visuais que viriam no final da década. Vamos destrinchar tudo o que fazia desse carro um verdadeiro mito das ruas brasileiras.
O Visual: Elegância Quadrada e Imponente
Em 1986, o Opala mantinha o design que o consagrou na década de 80. As linhas eram retas, sóbrias e elegantes. O conjunto ótico dianteiro contava com faróis retangulares que davam uma "cara de mau" ao carro, especialmente quando vistos pelo retrovisor.
Neste ano, você ainda encontrava o Opala em duas configurações de carroceria:
Sedã (4 portas): O preferido dos executivos, políticos e famílias mais abastadas.
Cupê (2 portas): O queridinho dos mais jovens e entusiastas da esportividade (que sairia de linha poucos anos depois, em 1988).
Menção Honrosa: A Caravan, a perua derivada do Opala, dividia as mesmas mecânicas e versões, sendo a rainha absoluta das viagens em família.
As Versões: Do Básico ao Luxo Extremo
A Chevrolet sabia atender a todos os públicos dentro do segmento de grande porte. Em 86, o catálogo era dividido basicamente em três degraus de prestígio:
1. Opala L / SL (Standard)
Era a versão de entrada. Sem muitos cromados e com acabamento interno mais espartano. Era muito procurado por frotistas, taxistas (graças ao seu imenso espaço interno e robustez) e como carro de polícia.
2. Comodoro
A versão intermediária, mas que de intermediária não tinha nada. Já trazia um excelente nível de acabamento, direção hidráulica, rodas de liga leve (opcionais ou de série dependendo do pacote) e muito veludo no interior. Era o carro de quem queria luxo sem pagar o preço da versão topo de linha.
3. Diplomata
O topo do mundo automotivo brasileiro em 1986. O Opala Diplomata era o carro de presidentes de empresas e celebridades. Ele vinha com faróis de neblina embutidos no para-choque, frisos laterais largos, rodas de liga leve exclusivas (as famosas "ralinho" ou as raiadas da época), vidros verdes, travas e vidros elétricos, ar-condicionado potente e os bancos mais confortáveis que a indústria nacional já havia produzido, parecendo verdadeiras poltronas de sala de estar.
O Coração do Monstro: A Mecânica
Falar de Opala e não falar de motor é um pecado. Em 1986, os motores eram movidos a gasolina ou a álcool (o combustível queridinho do Brasil na época). E a escolha se dividia em duas lendas:
Motor 2.5L (151) - 4 Cilindros
Não se engane pensando que era fraco. O motor de 4 cilindros do Opala era extremamente valente, oferecendo ótimo torque em baixas rotações e uma manutenção incrivelmente barata e fácil. Rendeu cerca de 82 cv (gasolina) e 98 cv (álcool). Era a escolha sensata para quem queria o porte do Opala com um consumo "pagável".
Motor 4.1L (250) - 6 Cilindros
O famoso "seis canecos". Esse motor transformava o Opala em uma locomotiva. O ronco grave, suave e borbulhante do escapamento é reconhecido de olhos fechados por qualquer fã de carro até hoje. Entregava cerca de 134 cv, mas o que importava mesmo era o torque brutal que empurrava o carro com facilidade.
O lendário 250-S: Havia ainda a calibração esportiva (250-S) com tuchos mecânicos, que girava mais alto e entregava mais potência, fazendo do Opala um dos carros mais rápidos do Brasil naquele ano.
Câmbio: As opções passavam pelo manual de 4 marchas (com engates longos, mas macios) ou o luxuoso e raro câmbio automático de 3 marchas (na alavanca do assoalho), muito cobiçado no Diplomata. A tração, como manda a cartilha dos bons carros clássicos, era traseira.
O Interior: Uma Viagem em Primeira Classe
Entrar num Opala 1986 (especialmente Comodoro ou Diplomata) era uma experiência sensorial.
Painel: O painel trazia a tradicional iluminação esverdeada, velocímetro marcando otimistas 200 km/h, conta-giros, vacuômetro (para ajudar na economia de combustível) e relógio digital.
Som: Toca-fitas Bosch ou toca-fitas Shedar de altíssima qualidade para a época.
Conforto: A direção hidráulica era famosa por ser "leve como uma pluma", permitindo manobrar o pesado carro com apenas um dedo. A suspensão filtrava qualquer buraco, dando a sensação de flutuar no asfalto.
Curiosidades do Ano
Domínio Absoluto: Em 1986, concorrentes como o Ford Landau já haviam saído de linha (1983) e o Dodge Dart/Charger também. O Opala reinava praticamente sozinho como o único sedã de grande porte fabricado no Brasil, concorrendo apenas indiretamente com o Alfa Romeo 2300 e o Ford Del Rey (que era menor e menos potente).
Preparação para o futuro: O ano de 86 foi um dos últimos antes da grande mudança de 1988, quando o Opala ganhou faróis trapezoidais, novo painel e interior redesenhado, além das calotas integrais nos modelos Diplomata.
Tração Traseira perigosa? Com muito torque e tração traseira, o Opala 6 cilindros de 86 exigia braço do motorista na chuva. A traseira era leve e saía de lado facilmente se o acelerador fosse pressionado com muita vontade em curvas.
Conclusão: O Valor do Opala 1986 Hoje
Se nos anos 80 ele era símbolo de status, hoje o Opala 1986 é um verdadeiro artigo de colecionador. Um modelo Diplomata de 6 cilindros, impecável e com placa preta, pode chegar facilmente a valores astronômicos no mercado de antigos.
O Opala 1986 representa uma era de ouro da engenharia automotiva sem eletrônica, onde o que mandava era a cilindrada bruta, o conforto absoluto e um design que impunha respeito por onde quer que passasse.





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